A REBELIÃO E OS PATRIARCAS

Escrito por César L. Pagani
Categoria: Resumo da Lição da Escola Sabatina Criado: Terça, 12 Janeiro 2016 09:09

Lição 3 – 09 a 16 de janeiro de 2016

 

Verso Principal

“Estou com você e cuidarei de você, aonde quer que vá; e Eu o trarei de volta a esta terra. Não o deixarei enquanto não fizer o que lhe prometi.” (Gn 28:15, NVI)

César L. Pagani

           

À medida que os homens se foram multiplicando sobre a Terra, e em razão de seu afastamento contínuo de Deus, a rebelião se expandiu e se agravou. A maioria dos habitantes do planeta era rebelde e idólatra. Contudo, o zelo de Deus manteve homens e mulheres de fé que Lhe temiam o nome e faziam Sua vontade honrando a Lei.

O desvio dos caminhos de Deus a partir da segunda geração da humanidade começou com o revoltoso Caim que, a despeito das claras instruções quanto aos sacrifícios remissórios, resolveu fazer a consagração a Deus à sua maneira.  Em vez de ofertas que representassem o futuro Redentor, resolveu apresentar ao Senhor o fruto de suas próprias obras e não foi aceito.

Fato contínuo, por força da rebeldia de Caim, o pecado despertou-lhe instintos assassinos e ele matou seu irmão, tornando-se o primeiro criminoso homicida da humanidade.

Os descendentes de Caim seguiram-lhe os malfadados passos. O primeiro bígamo foi Lameque e cometedor de duplo homicídio por motivos fúteis.

A rebelião cresceu ao longo de 1656 anos até que Deus Se viu obrigado a dar cabo da criação pela excessiva maldade do homem.

Noé foi o patriarca que sobreviveu ao dilúvio, juntamente com seus filhos e noras, para repovoar a Terra. A linhagem de homens santos patriarcais passou pela descendência de Sem, o primogênito, por Noé e Sem, até chegar a Abraão, Isaque e Jacó. Depois Jacó gerou os doze patriarcas de Israel.

Deus sempre contrapôs Sua justiça à impiedade dos homens mediante pessoas escolhidas. Jamais Ele ficou sem testemunho em qualquer época do mundo.

 

DOMINGO

Caim e Abel

                  A primeira geração de homens teve dois elementos. Caim, que era revoltado e murmurador contra Deus por causa da maldição que Ele lançara sobre a Terra e os homens, por causa do que ele achava ser um leve desvio da vontade de Deus em relação ao fruto proibido.

            Abel era fiel e consagrado e viu no plano de redenção um ato de imenso amor e misericórdia para com a raça decaída. Era grato a Deus pelas providências restauradoras e por saber que Ele mesmo, na Pessoa do Verbo, viria e redimiria o homem do pecado e anularia toda a maldição trazida pela violação da Lei de Deus.

            Os dois irmãos tinham claro conhecimento acerca da vontade de Deus em relação ao meio de salvação. Sabiam que ela seria alcançada por meio da fé no Salvador vindouro e da graça divina e perdão profuso. Tinham ciência de que o cordeiro oferecido nos sacrifícios de sangue simbolizava o Messias Redentor. Pela fé deviam eles crer que seus pecados eram perdoados e que a paz com Deus somente poderia ser obtida nutrindo-se a certeza na Palavra que Deus havia empenhado.

            Obedecendo às instruções de Deus, estariam purificados e se manteriam no centro da graça. Caim, porém, resolveu fundar sua própria religião baseada nas obras e sem o oferecimento de sangue inocente para cobrir suas culpas. Sem derramamente de sangue não há remissão de pecados. O sangue representa a vida e a vida de Jesus deposta na cruz do Calvário supriria todas as exigências de justiça da Santa Lei.

            Dois altares foram erigidos, altares particulares, pessoais, porque a salvação seria pessoal e não familiar ou coletiva. Abel, reconhecendo-se pecador necessitado, ofertou segundo lhe fora instruído, por isso Deus atentou para sua oferenda e deu um sinal do Seu agrado fazendo descer fogo do Céu e consumir o sacrifício (PP, 68).

            Como Caim não teve nenhuma manifestação celeste semelhante à do irmão, então “fechou a cara” como que estivesse sendo desprezado e discriminado.

            Abel argumentou com Caim, recomendando-lhe que fizesse conforme o ordenado, mas o revoltoso reagiu com irritação e firmemente manteve sua posição de levante contra Deus. A dadiva de Caim era de gratidão, mas não acompanhada de arrependimento.

            Vemos na Escritura que o próprio Senhor tentou amorosamente mostrar a Caim que ele estava errado; chamou-o à razão, repreendeu sua obstinação e aconselhou-o a fazer a coisa certa.

            Ele não suportou a bondosa repreensão do irmão e nem a amorosa censura divina. Perdeu completamente a razão e o controle e assassinou seu irmão. A Bíblia de Estudo de Andrews comenta que quando Deus disse sobre a agressividade do pecado e sua proximidade perigosa do homem – “Eis que o pecado jaz à porta” – essa era uma alegoria mais tarde utilizada na comunicação hebraica, para exprimir que um demônio mitológico vigiava as portas, espreitando para devorar o incauto.  

           

                SEGUNDA        

O Dilúvio           

            Não sabemos a população exata da Terra nos tempos de Noé, mas podemos inferir que se tratasse de milhões e milhões de pessoas, afinal, mais de um milênio e meio havia decorrido. “E onde há explosão populacional, isto é, multidões”, há também multidão de pecados.

            A primeira denúncia feita como razoável para a precipitação do Dilúvio foi que “vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si as que, entre todas, mais lhes agradaram”.  Não há nenhum delito em admirar a beleza e querer casar-se com uma bela mulher. Porém, a esse ato a Escritura chama de “jugo desigual” (2Co 6:14). Em outras palavras, a igreja ou os filhos de Seth se uniu aos filhos de Caim, idólatras, criminosos, rebeldes e afrontadores de Deus. Como diz Paulo, não pode haver comunhão entre luz e trevas, justiça e iniquidade.

            O vocábulo hebraico  “formosas” (bwj - towb) tem sentido também de agradáveis à vista ou sedutoras. Adoradoras de ídolos e lascivas exerciam atração física sobre os homens pertencentes à genealogia de Seth ou filhos de Deus. A união de Cristo com Belial – impossível em quaisquer termos senão em sentido pejorativo – produziu homens e mulheres totalmente degradados, ao ponto de seus pecados alcancarem tais cifras que Deus não mais os pôde tolerar (Gn 6:6).

         EGW escreveu acerca do comportamento dos antediluvianos: “Manifestavam seu desprezo pela advertência de Deus, fazendo exatamente como haviam feito antes que fosse apregoada. Continuavam com suas festas e banquetes de glutonaria; comiam e bebiam, plantavam e edificavam, fazendo seus planos com referência às vantagens que esperavam adquirir no futuro; e mais longe foram eles em impiedade, em desatenção arrogante às ordens de Deus, a fim de testemunharem que não tinham medo do Ser infinito.” Patriarcas e Profetas, p. 93. 

         E o Senhor definiu uma maneira de justiçar o pecado: uma inundação universal.  Todos seriam sepultados sob camadas de variados elementos geológicos, desaparecendo da face da Terra sem contaminação, putrefação e cenário horripilante para os que sobreviveriam à catástrofe. A misericórdia havia cerrado suas portas e a graça não mais intercedia pelos ímpios habitantes.

         O Dilúvio não resolveu totalmente o problema do pecado, pois as gerações sobreviventes optaram em sua maioria por seguir os próprios caminhos, mas o juízo contra o pecado foi feito. As gerações posteriores haveriam de compreender que Deus não brinca com Sua Palavra. Quando Ele diz algo, isso vai ocorrer, quer os homens queiram ou não, quer racionalizem, desprezem, virem-Lhe as costas ou desafiem. A rebelião jamais poderá perdurar para sempre.  

         Outra catástrofe mundial de caráter penal haverá de acontecer. Só que agora muito mais destruidora que o Dilúvio. Chamas, fogo, enxofre, terremotos, efusão de magma, etc. A vinda de Cristo porá fim a mais um reinado de pecado.         

TERÇA        

Abraão

            Quem era Abrão? Um semita nascido em Ur dos Caldeus, nona geração depois de Sem, que acompanhou o pai que planejava estabelecer-se em Canaã (Gn 11:31). Porém, fixou domicílio na cidade de Harã , a noroeste da Mesopotâmia e norte de Canaã.

            Algo interessante a notar é que, diferentemente da menção das gerações anteriores a Abraão, quando se diz o pai tinha tantos anos quando gerou um filho, no caso de Terá o modo genealógico de descrição muda de formato e diz que o pai do patriarca tinha 70 anos, gerou três filhos. Se os filhos foram todos gerados de uma vez, seria o caso de trigêmeos. Apenas uma curiosidade bíblica.

            A partir de então a história bíblica segue a vertente semita com a linhagem de Abrão, o pai do povo escolhido. Abrão, cujo nome foi mudado posteriormente (quando ele estava com 99 anos de idade – Gn 17:5) como sinal do cumprimento da profecia de que ele seria pai de muitas nações, inclusive do povo escolhido de Deus e do Messias Salvador, e também pai de todos os que, pela fé, se unem a esse povo (Gl 3:7). 

            Por Sua maravilhosa presciência, Deus sabia que esse homem rico e poderoso, porém humilde e manso, seria o exemplo de fé e obediência aos crentes futuros, a despeito de suas falhas humanas e pecados. “Porque Eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito.” (Gn 18:19).

            O povo procedente de Abraão deveria “guardar o caminho do Senhor”, ou seja, obedecer-Lhe a voz, observar Seus mandamentos e mostrar por seu estilo de vida o modo certo de se relacionar com o Criador.

            O próprio patriarca, já com seus cento e tantos anos, foi chamado por Deus para tirar a vida de Isaque num lugar distante – a terra de Moriá, provavelmente a região da futura Jerusalém e no exato lugar onde Salomão construiria o majestoso templo. Oitenta quilômetros distavam entre Berseba, onde Abraão residia e a montanha deMoriá, o que daria três dias de viagem.

            Parecia um insano contrasenso que Deus pedisse a vida de um ser humano, mormente, do filho da promessa. Contudo, essa “incoerência” de Deus não foi discutida. Abraão silentemente obedeceu, mesmo sabendo que Deus jamais aceitaria um sacrifício tal, tão como nos costumes pagãos (ver Lv 18:21; Dt 12:31; 18:10).

            Não é à toa que ele é chamado o pai dos crentes. Sua fé e obediência eram tamanhas, que confiava totalmente em Deus, sabendo que mesmo que Isaque fosse sacrificado, Deus não iria descumprir Sua promessa: “Em Isaque será chamada a tua descendência.” Deus é poderoso para chamar Isaque desde a morte e restaurá-lo totalmente devolvendo-o ao amoroso pai. Ver Hb 11:19.   

            “Deus sempre tem provado Seu povo na fornalha da aflição. É no calor da fornalha que a escória se separa do verdadeiro ouro do caráter cristão. Jesus vigia a prova; Ele sabe o que é necessário para purificar o precioso metal, para que este possa refletir o brilho do Seu amor. É por meio de transes severos, probantes, que Deus disciplina Seus servos.  Ele vê que alguns têm capacidades que poderão ser empregadas no avançamento de Sua obra; e põe tais pessoas à prova; em Sua providência Ele as leva a posições que provem seu caráter, e revelem defeitos e fraquezas que têm estado ocultas de seu próprio conhecimento. Dá-lhes oportunidade para corrigirem tais defeitos e adaptarem-se ao Seu serviço. Mostra-lhes suas fraquezas e os ensina a buscar nEle o apoio, pois que Ele é o seu único auxílio e salvaguarda.” Patriarcas e Profetas, p. 124.

                                                  QUARTA 

Jacó e Esaú

                   

                  Gêmeos – Esaú (cujo nome significa peludo)foi o primeiro a vir à luz e Jacó (enganador) o segundo. Portanto, por alguns poucos segundos Esaú recebeu legalmente o direito de primogenitura, que lhe dava acesso a ser chefe ou príncipe do clã, herdava o dobro da herança paterna. Havia exceções legais para a transferência dessacondição. Ela podia ser negociada (Gn 25:29, 34).Caso o primogênito cometesse faltas graves ou crimes, esse direito era perdido (1Cr 5:1). 

            Ambos foram criados num lar de gente piedosa. Porém, suas características pessoais eram diametralmente opostas. Esaú era imediatista; todos os seus interesses eram materiais e concentravam-se no presente. Não gostava de receber ordens e gostava de estar livre para fazer o que bem entendesse. Era caçador e truculento.

            Um problema de acepção familiar – Isaque gostava mais do jeito de Esaú e Rebeca amava mais a Jacó por ser pacífico, diligente e cuidadoso, tendo em vista mais o futuro do que o presente. Era perseverante, paciente e caseiro, gentil, atencioso com os pais e prestativo.

            Porém, Jacó era também ambicioso. Ele desejava, não o quinhão mais generoso da herança de seu pai, mas a primogenitura espiritual, que tornava o possuidor um sacerdote da família. Conforme as promessas feitas a Abraão e Isaque, do primogênito procederia o Redentor do mundo, o Deus encarnado. O primogênito também tinha obrigações de dedicar sua vida ao serviço de Deus. Esaú, destaque-se, “não estava nem aí” para os privilégios espirituais.

            Rebeca contou a Jacó que o anjo lhe dissera que ele, o segundogênito, seria o herdeiro das bênçãos espirituais. Assim, Jacó ficou ansioso por obtê-la o quanto antes e não se furtou de usar de oportunismo e astúcia para entrar em sua posse.

            Conhecemos a história. O autor de Hebreus, falando de Esaú, asseverou: “... nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura.” (Hb 12:16).

            Jacó pagou caro por sua sagacidade. Vinte anos longe do lar, dos amigos, da família, suportando um regime quase escravocrata de seu tio e sogro, e trabalhando sob severas regras de produtividade.

            Não somente isso, mas sua consciência o acusava continuamente do ato que praticara enganando seu irmão. Ficou apavorado quando lutou com um desconhecido poderoso no vau do Jaboque. O senso de seu pecado recrudesceu  nesse momento e ele achou que morreria sem esperança. Porém, com muita fé nas promessas e misericórdias do Senhor, requereu a bênção do perdão.

            Também pediu perdão a Esaú pelo que fizera e o irmão se reconciliou com ele.

            Essa história mostra que quando Deus tem um elevado propósito para o indivíduo – e Ele sempre o tem – não necessita de nossa ajuda para cumprir o que prometeu. Esperar no Senhor, ainda que demore, é um expediente de disciplina espiritual e instrumentalidade de santificação.                      

QUINTA    

José e seus irmãos

            A família de José não fugia à regra das famílias medio-orientais da época. Um, pai, 12 filhos e uma filha, quatro mães. Um pouco complexo para nossas mentes ocidentais, não é? Havia certa rivalidade entre as progenitoras, mormente Lia e Raquel, e também entre os irmãos. “O ciúme das várias mães havia amargurado a relação da família; os filhos cresceram contenciosos e sem a devida sujeição...” Patriarcas e Profetas, p. 209.

            José era o favorito de seu pai. Jacó mostrava abertamente seu favoritismo pelo filho de sua esposa mais amada. Um belo rapazote de rara beleza física, segundo EGW, e atributos de caráter de alta moralidade e ética. Obediente, ouvia atentamente as instruções do pai e amava servir a Deus. Em sua personalidade dócil via-se também gentileza, fidelidade, veracidade, aguda inteligência e um talento administrativo além dos padrões comuns.

            É claro que ele também, como pecador, possuía defeitos de caráter. Ele era tido por seus irmãos como um alcagoeta ou “dedo-duro”, vaidoso e narcisista. Na verdade, José era zeloso e cumpria exatamente as ordens que seu pai lhe dava, denunciando a conduta desavisada dos irmãos. EGW conta que José tornou-se exigente, sentia-se superior a todos.

            Quando Jacó deu a José uma túnica de luxo, os irmãos supuseram que o pai logo, logo, lhe conferiria os direitos de primogenitura. Inexperiente e um pouco incauto, José contou ao pai e aos irmãos um sonho que acreditava ter procedido de Deus, mostrando que seria guindado a elevadíssima posição e a família se curvaria perante ele.

            Sabemos pelo relato bíblico que o ódio de seus irmãos se acerbou e intentavam matá-lo, excetuando-se Rúben. Jacó, um homem espiritual, interpretou corretamente o sonho de José e se surpreendeu: “Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?” (Gn 37:10).

            Conhecemos pelas Escrituras o restante da história. A despeito das tremendas provações suportadas pelo jovem, na época com 17 anos de idade, das tentações que derrubavam e derrubariam muitos jovens hoje, manteve-se fiel a Deus. Tinha plena consciência dos mandamentos do Senhor e repugnava-lhe o pecado.

            José tornou-se um exemplo para todas as gerações, mostrando que é possível obedecer a Deus mediante Sua graça capacitadora, mesmo enfrentando as mais esmagadoras pressões externas e os apelos internos da natureza decaída. “Escrevi-vos, jovens, porque sois fortes e já vencestes o maligno.” (1Jo 2:14). Isso se cumpriu ipsis literis em José.

               

                  


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