A vinda de Cristo

Escrito por César L. Pagani
Categoria: Resumo da Lição da Escola Sabatina Criado: Sábado, 28 Março 2015 05:08

Lição 1 – 28 de março a 03 de abril de 2015

Verso para Memorizar

    

“Pois para Deus nada será impossível.” (Lc 1:37)

 

            Um quadro sinótico dos evangelhos, seus destinatários e propósitos:

quadro

 

DOMINGO

 “Pôr em ordem a narração”      

            O Dr. Lucas não era judeu de origem, mas nasceu em Antioquia da Síria ou em Filipos, na Grécia. Além de médico, era um homem de grande cultura, um historiador de talento e apreciava investigar profundamente os fatos. Dizem os eruditos que ele tomou por base o evangelho de Marcos como sua fonte principal de pesquisa. Crê-se que seu evangelho tenha sido escrito por volta de 62 d.C.

Escrevi o primeiro livro, ó Teófilo, relatando todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar  até ao dia em que, depois de haver dado mandamentos por intermédio do Espírito Santo aos apóstolos que escolhera, foi elevado às alturas.” (At 1:1, 2).

O primeiro livro de que trata Lucas é o evangelho. “Igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem...” (Lc 1:3) Lucas parece garantir ao seu nobre amigo Teófilo que ele usou os melhores critérios historicistas para assegurar ampla credibilidade à obra: “acurada investigação desde sua origem”, propiciar “uma exposição em ordem”, compreensiva, proveitosa.

Pelo texto parece que foi iniciativa dele e não de Deus, a escrita do evangelho. Ora, toda a Escritura é inspirada por Deus e o evangelho de Lucas não foge à regra. O Espírito Santo o inspirou a escrever um dos evangelhos.

Se há uma coisa que precisamos sempre ter presente ao falarmos de inspiração bíblica, é como ela ocorre. Nosso Criador prometeu: “Então, disse: Ouvi, agora, as Minhas palavras; se entre vós há profeta, Eu, o Senhor, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos.” (Nm 12:6). Diga-se, de antemão, que Deus inspira homens e não palavras. Não existe tal coisa como inspiração verbal. A inspiração atua no homem e não em suas palavras. O Senhor inspira a verdade na mente dos Seus servos, e esses expressaram em suas próprias palavras as mensagens que o Senhor lhes transmitiu. “Homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo.” (2Pe 2:21).

Ninguém nega que Paulo foi um inspirado apóstolo. Ele acrescentou um texto literário de autoria de Epimênides para compor o pensamento que vemos expresso em Tito 1:12: “Foi mesmo, dentre eles, um seu profeta, que disse: Cretenses, sempre mentirosos, feras terríveis, ventres preguiçosos.” O texto não era de origem divina, mas serviu ao propósito epistolar e ficou fazendo parte da inspiração.

Na pesquisa de Lucas ele partiu do livro de Marcos, como dissemos, e mediante investigação inspirada, entrevistas e coleta de fatos compôs seu evangelho que figura na lista de inspirações bíblicas. Esse fato não desmerece jamais a legitimidade do livro.   

SEGUNDA

“Pôr-Lhe-ás  porás o nome de João”

            “Durante algum tempo a influência do Batista foi maior que a de seus principais, sacerdotes e príncipes. Houvesse ele se anunciado como Messias, e fomentado um levante contra Roma, sacerdotes e povo se teriam reunido em torno de seu estandarte. Todas as atenções que falam à ambição dos mundanos conquistadores, Satanás se apressara em dispensar a João Batista. Mas, tendo embora diante de si as provas de seu poder, permanecera firme em recusar o deslumbrante preço do suborno. As atenções nele fixadas,

encaminhara para Outro.

“Agora, via a onda de popularidade a desviar-se de si para o Salvador. Dia a dia, diminuíam as multidões em torno dele. Quando Jesus foi de Jerusalém à região adjacente ao Jordão, o povo aglomerou-se para O ouvir. Diariamente, crescia-Lhe o número dos discípulos. Muitos iam em busca de batismo, e conquanto o próprio Cristo não batizasse, sancionava a ministração dessa ordenança pelos discípulos.

“Punha assim o selo sobre a missão do Seu precursor. Os discípulos de João, porém, olhavam com ciúmes a crescente popularidade de Jesus. Estavam prontos a criticar-Lhe a obra, e não tardou muito que se lhes deparasse ocasião. Surgiu entre eles e os judeus uma questão quanto ao batismo, se este servia para purificar do pecado; afirmavam que o batismo de Jesus diferia essencialmente do de João. Em breve, travaram discussão com os discípulos de Cristo acerca das palavras próprias para serem usadas no batismo e, afinal,

quanto ao direito deles de batizar.

“Os discípulos de João foram ter com ele com suas queixas, dizendo: ‘Rabi, Aquele que estava contigo além do Jordao, do qual Tu deste testemunho, ei-Lo batizando, e todos vão ter com Ele’. João 3:26. Por meio dessas palavras, tentou Satanás a João. Conquanto a

missão deste parecesse prestes a concluir-se, ser-lhe-ia ainda possível prejudicar a obra de Cristo. Houvesse ele se doido por si mesmo, ou expressado desgosto ou decepção, por ser sobrepujado, e estariam lançadas as sementes da dissensão, incitados o ciúme e a inveja,

tornando-se sério obstáculo ao progresso do evangelho.

“Joao tinha por natureza as faltas e fraquezas comuns à humanidade,  mas o toque do amor divino o transformara. Pairava numa atmosfera não contaminada pelo egoísmo e a ambição, e muito acima do miasma do ciúme. Não manifestou nenhuma condescendência

com o descontentamento de seus discípulos, mas mostrou quão claramente compreendia suas relações com o Messias, e a e a alegria com que saudava Aquele para quem preparara o caminho.

“Disse ele: ‘O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do Céu. Vos mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dEle. Aquele que tem a esposa e o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo’. João 3:27-29. João apresentou-se como o amigo que serviu de mensageiro entre os noivos, preparando o caminho para o enlace. Quando o esposo houvesse recebido a esposa, estava cumprida a missão do amigo. Ele se regozijaria na felicidade daqueles cuja união promovera. Assim João fora convidado a encaminhar o povo a Jesus, e seu prazer era testemunhar o êxito da obra do Salvador. Disse ele: ‘Assim, pois já este meu gozo esta cumprido. É necessário que Ele cresça e que eu diminua.’” O Desejado de Todas as Nações, pp. 139, 140.

TERÇA

“PÔr-Lhe-ás o nome de Jesus”

            Como é sabido, Jesus e João Batista eram primos em segundo grau. Coincidentemente, ambos tiveram seus nomes escolhidos não pelos homens, mas por Deus. Providencialmente, um cresceu no sul e outro no norte e somente se viram 30 anos depois de seu nascimento, quando Cristo procurou o primo para ser batizado por ele. Jamais se haviam conhecido antes.

            Enquant0 o nome Yohanness (João) significa “Jeová tem sido gracioso”, o nome de Jesus avulta em significado, pois é uma garantia divina em si mesmo: “Jeová é salvação”.  

            A encarnação do Verbo não é um evento que possa ser explicado racionalmente. Está muito além do alcance de mentes finitas e corruptas. Mas aconteceu. Cremos que quando a Divindade anunciou, depois de Adão ter pecado, que a Segunda Pessoa da Divindade iria revestir-Se da carne humana que caíra em pecado, os habitantes celestiais ficaram mudos de espanto. Em toda a incontável história da eternidade jamais se ouvira tal coisa. O argumento satânico que engabelou a terça parte dos anjos e deixou dúvidas no coração de muitos santos, caiu por terra quando o Pai mostrou que amou os pecadores de tal maneira que lhes deu para sempre Seu Filho Unigênito para salvá-los. Deus não era egoísta e nem pensava em Si mesmo. Ele Se deu a Si mesmo na Pessoa augusta do Filho. O maior de todos os sacrifícios foi feito em favor da raça rebelada.

            Durante 4.000 anos o Senhor anunciou a vinda do Redentor. Todas as Escrituras testificavam de Cristo, o Salvador. Moisés profetizara que um profeta maior do que ele se levantaria no futuro e todo israelita teria a obrigação de ouvi-Lo porque Ele era o Caminho, a Verdade e a Vida e ninguém se reconciliaria com Jeová senão através dEle.

            Seu nascimento seria virginal, isto é, seria concebido no ventre de uma mulher virgem, o que fugiria a todos os padrões humanos de concepção. Sua infinita Divindade se amoldaria a tal ponto à circunstância, que Ele não teria pai terrestre, mas só divino. Maria, sua mãe, concebeu pela virtude do Espírito Santo. Isso permanecerá para sempre um mistério em nossa mente. Ele Se uniu a nós por um laço que jamais se desfará. Depois de consumar a salvação, Jesus bem poderia, se quisesse, desfazer-se da carne humana, mas Ele preferiu ficar unido à nós para sempre. Quem poderá entender esse amor?

QUARTA

A manjedoura de Belém

             O anúncio do arcanjo Gabriel à virgem Maria é de uma solenidade e revelação ímpares. Não sabemos quais as impressões emocionais e espirituais que passaram pela mente e o coração de Maria, ao dizer o anjo: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Davi, seu pai. E reinará eternamente na casa de Jacó e o seu reino não terá fim.”  (Lc 1:32, 33). E mais: “O Santo que de ti há de nascer será chamado Filho de Deus.” (v. 35).

            Explicando a profecia de Isaías 7:14 a José, noivo de Maria, o arcanjo disse que outro nome para o Ser Santíssimo que estava vindo ao mundo seria Emanuel, porque se tratava de Deus morando com os homens.

            O Ser da mais elevada dignidade do Universo, a Majestade de todos os reinos, o Criador, o Santo de Israel descera ao mundo. Deixara Seu manto, cetro, coroa e comando nas mãos do Pai. Abrira mão das bem-aventuranças celestes para mergulhar no mundo rebelde, assassino, inimigo, para promover a redenção da humanidade. Ora, que preparativos não deveriam ter sido feitos para receber tal Dignitário. Os reis da Terra deveriam recebê-Lo com guardas de honra, tapete vermelho, reverências e todas as mesuras da diplomacia.

            Não foi assim, infelizmente. O Ente mais glorioso do Céu não foi reconhecido senão por estrangeiros e humildes pastores das colinas de Belém. Sua viagem para a maternidade foi feita no lombo de um jumento por 150 km. Cansativa, portanto, para a mãe e o bebê.

            As estalagens estavam apinhadas e “não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2:7). Nenhuma parteira ou obstetra ali estava para dar assistência à jovem mãe em seu parto. Não havia leito apropriado, mas um cocho em que os animais comiam serviu de berço para o Maravilhoso Redentor. Que Rei se humilharia a tal ponto, senão o Rei do Amor?

O Rei da Glória muito Se humilhou ao revestir-Se da humanidade. Rude e ingrato foi o Seu ambiente terrestre. Sua glória foi velada, para que a majestade de Sua aparência exterior não se tornasse objeto de atração. Esquivava-Se a toda exibição exterior.” O Desejado de Todas as Nações, p. 25.

“A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as ‘profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus’. Romanos 11:33. Maravilhamo-nos do sacrifício do Salvador em permutar o trono do Céu pela manjedoura, e a companhia dos

anjos que O adoravam pela dos animais da estrebaria. O orgulho e presunção humanos ficam repreendidos em Sua presença. Todavia, esse passo não era senão o principio de Sua maravilhosa condescendência. Teria sido uma quase infinita humilhação para o Filho

de Deus, revestir-Se da natureza humana mesmo quando Adão permanecia em seu estado de inocência, no Éden. Mas Jesus aceitou a humanidade quando a raça havia sido enfraquecida por quatro mil anos de pecado. Como qualquer filho de Adão, aceitou os resultados da operação da grande lei da hereditariedade. O que estes resultados

foram, manifesta-se na história de Seus ancestrais terrestres. Veio com essa hereditariedade para partilhar de nossas dores e tentações, e dar-nos o exemplo de uma vida impecável.” Idem, p. 28.

QUINTA

AS testemunhaS do Salvador

A vinda de Cristo, o Messias, não foi realizada de modo obscuro. Deus não Se deixou sem testemunho de que havia dado ao mundo a maior dádiva que tinha em Seus incontáveis tesouros. O primeiro anjo do Céu foi enviado para anunciar aos pastores que o Redentor já estava no mundo. Uma guarnição de anjos gloriosos guiou os magos do Oriente até a cidade de Belém. À família do sacerdote Zacarias foi anunciado que eles teriam um filho que testemunharia poderosamente da vinda do Cordeiro de Deus. O velho e piedoso Simeão recebeu revelação direta do Espírito Santo de que ele não morreria sem ver a salvação que Deus preparara para Israel e o mundo.  A idosa profetisa Ana também recebeu revelação de que Aquele bebê que estava sendo apresentado no templo era a Salvação do mundo. Ele pregou a todos os que ali estavam, dando testemunho.

Nem todos os do povo estavam inconscientes da vinda do Senhor. Muitos a quem Ana pregara “esperavam a redenção em Jerusalém” (Lc 2:38).

O testemunho de Simeão desfez dúvidas quanto à missão do Redentor. Ele não seria, como ensinava a tradição, um rei invencível que dominaria o mundo. Em oração pública ele disse que já estava feliz por ver a “salvação que Tu preparaste para todos os povos, Luz para iluminar as nações [não só Israel] e para glória de Israel”.

A salvação não era étnica, classista, restrita, mas universal. Deus o Pai oferecera o Cordeiro, Seu Filho, em holocausto por todos.

Simeão, inspirado pelo Espírito, prosseguiu dizendo aos pais de Jesus que a vida daquela criança causaria divisões entre o povo. Os pensamentos seriam revelados e as ambições expostas. Sua vida seria motivo de espanto, discussão, e alvo de tenaz ódio, porque Ele era a verdade, o caminho, a luz do mundo e as trevas não podiam permitir que a glória brilhasse.

A espada que transpassaria o coração de Maria foi desembainhada nos momentos trágicos do Calvário. Seu jovem Filho ali penderia como um criminoso para vergonha pública, embora nenhum crime houvesse cometido. Que vida tão curta!  Que falta faria aquele Filho dedicado, atencioso, bondoso, terno? Por que Ele fora condenado? Onde estavam Seus seguidores para lutar por Ele? Abandonado por todos.

Maria não percebeu naquele momento, mas Seu Filho conquistara a vitória sobre o pecado e a morte e, no futuro, Ele sorriria satisfeitíssimo com o penoso trabalho de Sua alma. Milhões e milhões salvos para sempre no reino do Céu.  

 
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